O estranho atraente
Imagens e narrativas que vão entre o grotesco e o estranho ganham espaço como linguagem estética e símbolo de distinção. Inspire-se nela!
Oi, pessoal. Como estão?
Já repararam como certas coisas consideradas fora do comum começam a parecer interessantes? O estranho, o exagerado, o desproporcional, o grotesco… aquilo que antes causava rejeição agora aparece como linguagem estética, especialmente na moda e na cultura visual.
Nessa news, compartilhamos um recorte do caderno INSPIRAÇÕES sobre o assunto, projeto em que investigamos associações entre imagens, comportamento e repertório criativo para pensar produtos, campanhas, comunicação e tendências culturais.
Vamos nessa?
O que a sociedade considera “feio” não é universal. Ele muda conforme a época, a cultura, a religião e os códigos morais de cada sociedade. O filósofo, semiólogo e escritor Umberto Eco sustenta que a feiura foi concebida como o oposto da beleza para desempenhar uma função moral e simbólica na sociedade. Na Idade Média, por exemplo, representava pecado, caos, medo, inferno e desordem. Atualmente, a feiura tem um valor estético próprio. O grotesco, o chocante, o estranho e até o repulsivo podem ser incorporados a diversas áreas criativas e culturais, até se tornarem uma linguagem expressiva.
“O feio é atraente. O feio é excitante. Talvez porque seja novo” é uma frase de Miuccia Prada que define seu trabalho como diretora criativa, incessantemente associado ao ugly chic pela crítica, justamente por desafiar a ideia “burguesa” da beleza. Outro bom exemplo na moda é a Margiela, com seu sapato Tabi, de biqueira fendida, lançado em 1988, que continua a ganhar reinterpretações até hoje, sendo um dos best-sellers da marca e que, este ano, recebeu uma exposição reunindo itens dos maiores colecionadores de Tabi Margiela do mundo.
Chamar algo de feio quase nunca descreve apenas uma forma: é também uma fronteira, um desconforto coletivo e um impulso para hierarquizar corpos, objetos e estilos. Ao mesmo tempo, é culturalmente comum que, aquilo que primeiro é rejeitado como feio frequentemente volte como linguagem de distinção, vide exemplos recentes da cultura pop, como os looks de Justin Bieber e Bianca Censori, namorada de Kanye West. Isso revela uma contradição: a sociedade condena o feio quando surge sem mediação, mas o celebra quando é enquadrado por um repertório, um status ou uma intenção.
Inspire-se na feiura!


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