O que te separa do mundo?
Se nunca estivemos tão “conectados” como agora, por que ainda delimitamos territórios?
Olá!
Entre fronteiras visíveis e invisíveis, pertencimentos escolhidos e impostos, seguimos tentando entender onde (e com quem) nos sentimos parte. Em um mundo acelerado, hiperconectado e atravessado por crises, a ideia de “estar junto” nunca foi tão disputada.
Nesta edição, abrimos espaço para refletir sobre separação, identidade e território, não só no mapa, mas no comportamento, na cultura e nas estéticas que consumimos. Um convite para observar o agora com mais atenção.
Beijos.
A globalização estabelece uma tensão entre o local e o global, o que nos aproxima e o que nos separa. Se nunca estivemos tão “conectados” como agora, por que ainda delimitamos territórios?
As tensões mundiais alimentam o desejo por segurança e ressuscitam padrões nacionalistas. Podemos citar como exemplos o governo de Donald Trump e suas políticas contra a imigração, o Brexit, os conflitos entre Palestina e Israel e a guerra entre Rússia e Ucrânia.
Ainda que nossa comunicação, entretenimento e economia sejam globalizadas, e se beneficiem disso, a ideia das nações permanece como a principal instituição política.
Diversas correntes, porém, defendem que este padrão deveria ser repensado para atender a uma população que enfrenta necessidades e problemas mundiais. Nessa edição do DROPZ, discutimos o tema:
Um dos primeiros a discutir o assunto foi Marshall McLuhan em “Compreender os Meios de Comunicação extensões do homem”, observando que as redes de comunicação diminuíram o tamanho do mundo e ofereceram novas aproximações entre pessoas e ideias. Durante a COVID-19, observamos essa teoria na prática.
Vivemos um desequilíbrio entre aspirações mundiais e locais. A ideia da globalização como abordagem que promove união com modelo econômico e cultural dominante é questionada. Conforme o cientista político Guilherme Casarões, em artigo para a Folha de S. Paulo em 2022, “a globalização produziu descontentamentos políticos e econômicos”.
Esse dilema apareceu de forma explícita no discurso do Primeiro Ministro Canadense Mark Carney no World Economic Forum de 2026, que apontou como vivemos o colapso da ilusão de uma globalização homogênea. Segundo Carney, o mundo segue profundamente interdependente, mas emocionalmente fragmentado. Economias, cadeias produtivas e fluxos culturais são globais, enquanto medos, identidades e decisões políticas se retraem para o local. O resultado é um cenário em que buscamos proteção em fronteiras simbólicas e nacionais, mesmo sabendo que os grandes desafios (climáticos, econômicos, migratórios e tecnológicos) não respeitam territórios. A pergunta que fica é mais cultural: como construir pertencimento em um mundo conectado, sem recorrer ao isolamento como resposta automática ao desconforto global?
Mais reflexões no botão abaixo.
O mundo anda mais conservador. É natural que esse desejo por ordem, pureza e segurança que embala o momento político também se relacione com expressões estéticas ao nosso redor. Neste episódio, a investigamos a tensão entre a clean girl sem nenhum fio de cabelo fora do lugar e as expressões estéticas de latinidade, as fubangas, messy e caras de cansada que também são hit nas redes.
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